
Depois de muito tempo de reclusão eu resolvi voltar a escrever. Isso porque agora eu sou PESQUISADORA ELEITORAL.
É pesquisadora igual aqueles que supostamente existem no IBGE, mas que ninguém nunca viu, só que de uma empresa não tão importante assim. E eu trabalho nas cidades do interior do Paraná, na região norte pra ser mais exata, o que deixa o trabalho muito mais interessante. Então resolvi contar algumas das varias historias que eu já vivi.
Pra falar a verdade eu nunca dei muita bola pra essa coisa de política e eleição não. Só fiz o meu titulo aos 18 anos porque fui obrigada e na minha primeira e única eleição votei em branco para todos os cargos. Hoje eu não moro na cidade onde fiz o meu titulo e, sinceramente, não tenho o menor interesse em transferi-lo.
Apesar de nunca ter me importado em escolher um candidato, ou em quais critérios as pessoas se apoiavam para escolher os seus, com esse novo emprego deu pra notar que eleição na capital é bem diferente de eleição no interior. Principalmente quando se trata de prefeitos e vereadores.
Na capital, pela minha avaliação superficial, notei que as pessoas costumam se preocupar mais com o candidato a prefeito e com o que ele tem feito pela cidade. Geralmente esse “pela cidade” se resume ao centro e aos pontos mais movimentados. Os vereadores só ganham destaque quando se posicionam como “prefeitos do bairro” e quando isso acontece a maioria das pessoas que residem ali votam pra ele. Do contrário as pessoas costumam escolher aleatoriamente ou então votam em algum conhecido.
Na cidade do interior a coisa é um pouquinho diferente. As pessoas escolhem o candidato, tanto a vereador quanto a prefeito, que elas conhecem. O prefeito é escolhido pela obra que ele fez na rua ou no bairro do eleitor, pela quantidade de vezes que ele comprimentou aquela pessoa ou algum conhecido seu. É escolhido pelo contato físico, a maioria dos eleitores conhecem de fato o seu candidato, já puderam conversar, trocar algumas idéias. O vereador então nem se fala, geralmente é algum vizinho, amigo ou parente.
Essa diferença me fez pensar sobre quem nós, ou melhor, vocês elegem. Se na capital o voto é dado a quem dá uma maquiada na cidade ou a quem ganha no cara ou coroa e no interior o voto é dado pra aquele que tem mais lábia ou algum tipo de parentesco realmente não dá pra esperar que as coisas fiquem muito melhores do que estão.
Não, eu não escolho candidato a coisa alguma e já fui muito criticada por isso, mas agora eu pergunto:
Porque você vai votar nele?
Quais são os projetos dele pra sua cidade?
Como ele pretende colocar esse projeto em prática?
Se você não tem resposta pra essas perguntas sugiro que corra logo atrás delas porque só faltam 12 dias e depois você não vai poder reclamar que ele prometeu e não cumpriu.






