segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cara ou Coroa?


Depois de muito tempo de reclusão eu resolvi voltar a escrever. Isso porque agora eu sou PESQUISADORA ELEITORAL.

É pesquisadora igual aqueles que supostamente existem no IBGE, mas que ninguém nunca viu, só que de uma empresa não tão importante assim. E eu trabalho nas cidades do interior do Paraná, na região norte pra ser mais exata, o que deixa o trabalho muito mais interessante. Então resolvi contar algumas das varias historias que eu já vivi.

Pra falar a verdade eu nunca dei muita bola pra essa coisa de política e eleição não. Só fiz o meu titulo aos 18 anos porque fui obrigada e na minha primeira e única eleição votei em branco para todos os cargos. Hoje eu não moro na cidade onde fiz o meu titulo e, sinceramente, não tenho o menor interesse em transferi-lo.

Apesar de nunca ter me importado em escolher um candidato, ou em quais critérios as pessoas se apoiavam para escolher os seus, com esse novo emprego deu pra notar que eleição na capital é bem diferente de eleição no interior. Principalmente quando se trata de prefeitos e vereadores.

Na capital, pela minha avaliação superficial, notei que as pessoas costumam se preocupar mais com o candidato a prefeito e com o que ele tem feito pela cidade. Geralmente esse “pela cidade” se resume ao centro e aos pontos mais movimentados. Os vereadores só ganham destaque quando se posicionam como “prefeitos do bairro” e quando isso acontece a maioria das pessoas que residem ali votam pra ele. Do contrário as pessoas costumam escolher aleatoriamente ou então votam em algum conhecido.

Na cidade do interior a coisa é um pouquinho diferente. As pessoas escolhem o candidato, tanto a vereador quanto a prefeito, que elas conhecem. O prefeito é escolhido pela obra que ele fez na rua ou no bairro do eleitor, pela quantidade de vezes que ele comprimentou aquela pessoa ou algum conhecido seu. É escolhido pelo contato físico, a maioria dos eleitores conhecem de fato o seu candidato, já puderam conversar, trocar algumas idéias. O vereador então nem se fala, geralmente é algum vizinho, amigo ou parente.

Essa diferença me fez pensar sobre quem nós, ou melhor, vocês elegem. Se na capital o voto é dado a quem dá uma maquiada na cidade ou a quem ganha no cara ou coroa e no interior o voto é dado pra aquele que tem mais lábia ou algum tipo de parentesco realmente não dá pra esperar que as coisas fiquem muito melhores do que estão.

Não, eu não escolho candidato a coisa alguma e já fui muito criticada por isso, mas agora eu pergunto:

Porque você vai votar nele?

Quais são os projetos dele pra sua cidade?

Como ele pretende colocar esse projeto em prática?

Se você não tem resposta pra essas perguntas sugiro que corra logo atrás delas porque só faltam 12 dias e depois você não vai poder reclamar que ele prometeu e não cumpriu.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Estarei reclamando também


Muito já se falou sobre o atendimento de telemarketing e todas aquelas coisas insuportáveis como o gerúndio desnecessário, a demora, as transferências, a musiquinha. Não que eu não concorde com todas as reclamações, mas como diria Raul “vou entrar também nessa jogada e vamos ver agora quem é que vai güentar”. Então, exercendo meu dever jornalístico, resolvi contar algumas verdades sobre o atendimento de telemarketing que você cliente certamente desconhece.

1. TMO (tempo médio por operação): é o tempo limite que o agente tem para tirar todas as suas dúvidas e esclarecer todos os procedimentos realizados durante o atendimento. Ele é variável conforme o grau de complexidade do problema que o agente é (mal) treinado para resolver, mas em 100% dos casos é insuficiente para repassar todas as informações que deveriam ser transmitidas, que dirá ser cortês, educado e gentil.

2. Célula: funciona igual nos seres vivos: uma célula do rim é programada para filtrar as impurezas do sangue, logo ela jamais vai poder transmitir um impulso elétrico, já que esta é a função das células nervosas. Sendo assim, um agente da célula de vendas jamais vai poder lhe informar porque o seu serviço não está funcionando perfeitamente, este é o trabalho do agente da célula de serviços. E é exatamente por isso que você nunca vai ligar para um callcenter e falar com menos que 3 agentes por chamada.

3. Monitoria: é a galera responsável por gravar e escutar a sua conversa com o agente de telemarketing, não para garantir que ele vai lhe atender bem, mas para ter certeza que ele vai confirmar todos os dados necessários para o atendimento como, por exemplo: CPF, RG, nome do titular, cidade de onde fala, filiação, estado civil, local e data de nascimento e batismo, a cor da roupa que você esta vestindo, o que você fez no último dia 17 de outubro às 23:45 e todas aquelas outras perguntas que você tem que responder antes de expor o seu problema.

4. O sistema: que o Bill Gates não me leia, mas está para nascer o homem que vai criar um sistema operacional capaz de baixar na data correta todos os pagamentos efetuados, não confundir dados de clientes, efetuar todos os serviços no prazo estipulado e não entrar em manutenção no meio do atendimento depois de 20 minutos da maravilhosa música do caminhão de gás.

5. E por último, mas não menos importante: os outros 40 e tantos clientes tão irritados com a demora, as transferências e as quedas de ligação quanto você que esse agente que escuta seus gritos já atendeu antes da sua chamada.

Por tanto quando você ligar para um callcenter e se sentir chegando no hall de entrada do inferno lembre-se: do outro lado da linha Ele funga no pescoço de alguém.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

“E só há uma maneira de faze-lo: direito, bem feito senão é melhor nem começar” (Titãs)


“O Ministério Público Federal em Minas Gerais ajuizou ação civil pública contra a Rede Globo de Televisão pedindo a condenação da emissora carioca por danos morais coletivos em razão da veiculação de conteúdo irregular na novela ‘Duas Caras’.
Segundo o procurador da República Fernando de Almeida Martins, autor da ação, a novela teria veiculado conteúdo alusivo a consumo de drogas lícitas, atos criminosos, homicídio e, especialmente, insinuação sexual, erotismo, sensualismo e promiscuidade, todos eles inadequados para o horário, conforme as regras de classificação indicativa estabelecidas pelas Portarias nº 1.220/07 e 264/07 do Ministério da Justiça. (...)
Em resposta aos questionamentos feitos pelo MPF, a Rede Globo sustentou que as cenas da ‘dança no poste’ foram retiradas da novela. Mas, segundo o procurador, ‘a simples retirada das cenas irregulares não implica a reparação e/ou compensação dos danos causados aos telespectadores brasileiros, em especial ao público de crianças e adolescentes, nem ao menos desestimula o desrespeito reiterado da ré à função social constitucional da atividade econômica concedida’”.



Não é a primeira vez que escrevo sobre a “qualidade” das músicas brasileiras, nem, também, sobre a hipocrisia do povo brasileiro. Mas creio que seja a primeira vez que vou defender a Rede Globo de Comunicação. É... eu vou defender sim. Não que ela esteja certa, mas convenhamos “insinuação sexual, erotismo, sensualismo e promiscuidade, todos eles inadequados para o horário”?? Quantas vezes você já ligou o radio às 14:00 horas e ouviu o “creu”, ou o “adultério”, ou qualquer coisa “muito educativa e nada promiscua do gênero”?

Se eu resolvesse processar todas as rádios que atentaram a minha moral não precisaria trabalhar pra terminar de pagar minha faculdade.


Fonte:
http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/49315.shtml


terça-feira, 1 de abril de 2008

O (des)compromisso com a verdade


Uma das coisas que eu mais gosto no transporte público de Curitiba são os tubos (ver: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq072/arq072_01_04.jpg) e não é pela modernidade do “melhor transporte público do país” ou todo esse blábláblá que curitibano adora repetir. É exclusivamente porque nos tubos a gente sempre tem a opção de conversar com o cobrador enquanto espera o maldito ônibus e assim, os 20 minutos não parecem tão intermináveis. E foi uma dessas conversas que me inspirou a escrever esse texto.

Eu tinha acabado de perder o ônibus e tava puta da vida, quando o cobrador do tubo da Praça 29 de Março começou a contar do dia em que ele ficou no meio do fogo cruzado entre policiais e assaltantes (é essas coisas não acontecem só no Rio de Janeiro, como você e muita gente deve pensar). Segundo o cobrador, que eu ainda não sei o nome, ele estava esperando o ônibus em que trabalhava chegar, quando um pálio prata bateu no poste perto dele. De dentro saiu um homem correndo e logo atrás a policia. O meu amigo de prosa não sabia o que fazer até escutar um dos policiais gritar: “Se esconde motorista... a gente vai atirar!”. Sem ter pra onde ir, ele tentou se proteger atrás de outro poste. Foi ai que o tiroteio começou. E é aqui que começa o meu texto.

O “tiroteio” na verdade, pela versão do meu amigo, me pareceu mais um fuzilamento, já que o assaltante não revidou. Mas no outro dia nas manchetes dos jornais sangrentos estava o corpo estendido no chão e a versão: “o assaltante atacou os policiais que não tiveram outra opção além de atirar”. E toda aquela aula sobre compromisso com a verdade que eu tinha acabado de assistir, joguei na lata do lixo antes de embarcar no ônibus.

domingo, 30 de março de 2008

“O meu sangue é negro, branco, amarelo e vermelho” (Cazuza)


Esses dias entrei no ônibus que faz linha da minha faculdade e vi um cartaz colado próximo ao cobrador.

“PRÉ-VESTIBULAR PARA NEGROS E NEGRAS”

Não posso dizer que sou negra, mas como filha e neta de negros, me senti extremamente descriminada. Por que seria necessário um cursinho pré-vestibular exclusivo para negros? O cérebro deles é diferente do de um branco? Eles precisam de um método especial de ensino? Por que as cotas nas faculdades? Por que esse tratamento diferenciado? Afinal, o que diferencia um negro de um branco?

E o pior de tudo... dessa vez a culpa não é dos brancos.

“O Curso Pré-Vestibular para Negros e Negras, promovido pela Associação Cultural de Negritude e Ação Popular dos Agentes de Pastoral de Negros (ACNAP) em parceria (...)”


Fonte: http://vestibular.brasilescola.com/noticias/prevestibular-para-negros-negras-abre-inscricoes.htm

quarta-feira, 26 de março de 2008

A.I.6


Eu não queria ser repetitiva, mas toda vez que penso nesse assunto a minha língua (neste caso os dedos) caça pra dizer alguma coisa. O fato é o seguinte:

Eu não gosto de calça com a boca estreita!
Não gosto de bota com salto plataforma!
E não suporto andar com uma bolsa onde cabe um salão de beleza inteiro dentro, com direito a revista de fofoca e tudo mais!

Daí sempre aparece um engraçadinho pra dizer: “Mas você não pode ficar por fora das novas tendências...”.

E TEM COMO??

Pra toda vitrine que eu olho só isso que eu vejo. Não importa se é shopping ou feirinha. De grife ou “leve três e pague uma”. A ditadura da moda me persegue em todos os lugares. É igual novela das oito, você não precisa assistir pra saber o que aconteceu, sempre tem uma “alma caridosa” disposta a te contar.

E eu me pergunto: cadê as Diretas Já nessa hora? Cadê os caras pintadas? As passeatas e as músicas de protesto?



Art 6º - A suspensão dos direitos estilísticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:

I – cessação de privilégios de escolher o modelo e a cor da roupa;

II – suspensão do direito de contestar ou de ser contestado sobre a vestimenta;

III – proibição de atividades não relacionadas às tendências da estação;

IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:

a) acompanhamento de personal style;
b) proibição de freqüentar determinados lugares;
c) apelidos pré-determinados.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_N%C3%BAmero_Cinco

sábado, 22 de março de 2008

Baseado em fatos reais


- Bom dia! Posso ajuda-la?
- Oi querida tudo bem? Eu vi a vitrine lá fora e gostei de umas coisinhas.
- E do que exatamente a senhora gostou? Eu posso pegar pra lhe mostrar.
- Ah eu quero uma dessas blusas que todo mundo ta usando agora.
- Ah sim! Nós temos varias cores. Qual a senhora prefere?
- Que cor que o pessoal ta usando mais hoje em dia?
- A cor da moda agora é o roxo.
- Roxo?! Mas roxo é tão... Roxo...
- Bom é a cor da tendência pra estação.
- Ah... Então ta, pode ser roxo.
- E o que mais a senhora gostaria de ver?
- Eu quero uma bolsa. Dessas que todo mundo ta usando.
- Também temos em varias cores.
- Nossa, mas elas são tão grandes. Eu nem tenho tanta coisa pra guardar ai dentro.
- Pois é... Mas é o que todo mundo ta usando agora.
- É ta na moda né? Eu quero essa aqui, roxa pra combinar com a blusa.
- Mais alguma coisa?
- Ah uma calça pra usar com a blusa.
- E qual o tamanho da calça?
- 36.
- A senhora não quer vestir pra ver se fica boa?
- Não, não. Eu já sei que não vai caber.
- Mas nós temos números maiores nesse modelo.
- Ah não querida. Eu tenho que emagrecer: as tops são todas magrinhas.
- E a senhora vai querer mais alguma coisa?
- Não é só isso mesmo. Eu to atrasada já. Tenho consulta com o cirurgião plástico, afinal todo mundo tem peitão agora. – risos.
- Obrigada e volte sempre. Obrigada você querida.